Teleoplexia

Notas sobre a Aceleração

Nick Land
2014

§00. ‘Aceleração’ como aqui usada descreve a estrutura temporal da acumulação de capital. Desta forma, ela referencia a ‘produção indireta’ que funda o modelo de capitalização de Böhm-Bawerk, no qual poupança e tecnicidade são integradas dentro de um único processo social—o desvio de recursos do consumo imediato para o aprimoramento do aparato produtivo. Consequentemente, enquanto co-componentes básicos do capital, tecnologia e economia têm uma distintividade apenas limitada e formal sob as condições históricas do desencadeamento da escalada capitalista. A dinâmica indissoluvelmente gêmea é teconômica (industrialismo comercial de excitação mútua). Aceleração é o tempo teconômico.

§01. A aceleração é inicialmente proposta como uma expectativa cibernética. Em qualquer circuito cumulativo, estimulado por sua própria produção e, portanto, auto-impulsionado, a aceleração é o comportamento normal. Dentro do terreno diagramável dos processos dirigidos por feedback, se encontram apenas explosões e armadilhas, em suas diversas compleições. O aceleracionismo identifica o diagrama básico da modernidade como explosivo.

§02. Explosões são manifestamente perigosas, de qualquer perspectiva que seja realmente (ou seja, historicamente) instanciada. Apenas nos casos mais radicalmente anômalos elas podem ser sustentadas de maneira durável. É a firme previsão do aceleracionismo, portanto, que o tópico prático típico da civilização moderna será a explosão controlada, geralmente traduzida como governança ou regulamentação.

§03. O que quer que seja básico pode ser deixado sem reforço e sem ser dito. Uma intervenção urgente só é necessária do outro lado—aquele do compensador. Não deveria se esperar, então, que o primordial venha primeiro, mas sim o contrário. O acesso ao processo parte do negativo (cibernético) do processo, através de um projeto estruturado como elemento compensatório aboriginalmente deficiente, já a caminho da estabilização. (É a prisão, e não o prisioneiro, que fala.)

§04. Uma orientação compensatória priorizada é uma constante social livre de escala. Na engenharia de controle, esse é o modelo do ‘governador’ ou regulador homeostático, abstraído através do conceito mecânico-estatístico de equilíbrio para aplicação geral a sistemas perturbados (até o nível de economias de mercado). Na biologia evolutiva, é a adaptação e a precedência teórica da seleção em relação à mutação (ou perturbação). Na ecologia, é o ecossistema clímax (globalizado como Gaia). Na ciência cognitiva, é a solução de problemas. Na ciência social, é a economia política e o alinhamento da teoria à política adaptativa, consumado na macroeconomia técnica/banco central. Na cultura política, é a ‘justiça social’ concebida como restituição de agravos. Na mídia de entretenimento e na forma literária ou musical, é a resolução programática do mistério e da discordância. Na geoestratégica, é o equilíbrio de poder. Em cada caso, um processo compensatório determina a estrutura original da objetividade, dentro da qual a perturbação é apreendida ab initio. A primazia do secundário é a norma social-perspéctica (da qual o aceleracionismo é a crítica).

§05. O secundário vem primeiro porque os interesses da estabilidade e do status quo, concebido de maneira ampla, estão historicamente estabelecidos e pelo menos parcialmente articulados. A ação compensatória, embora subsequente a um agitação mais primordial em um sentido estritamente mecânico, também é conservadora ou (mais radicalmente) preservativa e, assim, receptora de uma herança da tradição. É o telos inercial que, por padrão, coloca uma existência atual como fim organizante de todos os meios subordinados. Esta situação ‘natural’ é quase perfeitamente representada pela questão central da futurologia humanista (quer ela seja postulada de maneira formal e política, ou informal e comercial): Que tipo de futuro queremos?

§06. A primazia do secundário tem, como sua consequência, uma crítica preventiva do aceleracionismo, que molda a estrutura profunda da possibilidade ideológica. Uma vez que o aceleracionismo não é mais do que a formulação de uma perturbação não compensada, através de sua implicação última, ele está suscetível a uma precognição crítica—de uma só vez tradicional e profética—que o captura, de maneira abrangente, em seus elementos essenciais. A ideia final desta crítica não pode ser localizada na dimensão política principal, que divide esquerda de direita, ou datada, à maneira de uma filosofia desenvolvida, de forma progressiva. Sua afinidade com a essência da tradição política é tal que cada uma e todas as efetivações são distintamente ‘descaídas’ em comparação a uma revelação pseudo-original que recua, cuja restauração definitiva ainda está por vir. Ela é, para a humanidade, a crítica perene da modernidade, ou seja, a posição final do homem.

§07. A primazia do secundário exige que a ‘crítica da crítica’ venha primeiro. Antes da formulação do aceleracionismo, ele foi condenado por antecipação e ao seu horizonte último. A Crítica Perene acusa a modernidade de colocar o mundo de ponta-cabeça, através de uma sistemática inversão teleológica. Meios de produção se tornam fins de produção, por tendência, conforme a modernização—que é capitalização—procede. O desenvolvimento teconômico, que encontra sua única justificativa perene no crescimento extensivo das capacidades instrumentais, demonstra uma inseparável malignidade teleológica, através da transformação intensiva da instrumentalidade, ou finalidade teconômica perversa. A consolidação do circuito retorce a ferramenta em si mesma, fazendo das máquinas seu próprio fim, dentro de uma dinâmica de auto-produção sempre em aprofundamento. O ‘domínio do capital’ é uma catástrofe teleológica realizada, uma rebelião de robôs ou uma insurgência shoggótica, através da qual uma instrumentalidade em escalonamento inverteu todos os propósitos naturais em um reino monstruoso da ferramenta.

§08. ‘Teconomia’ é uma palavra espalhada pelo Google e de inevitabilidade irresistível, que repetidamente luta para dar luz a si mesma, dentro das miríades de casas de cunhagem. Resta apenas regularizar seu uso. Bastante diferente é um verdadeiro neologismo, mas, a fim de designar a modernidade ou a capitalização em seu absoluto retorcimento propositivo, agora é necessário cunhar um – teleoplexia. De uma só vez uma deutero-teleologia, que reapropria o propósito ao propósito; uma teleologia invertida; e uma teleologia auto-reflexivamente complicada; a teleoplexia também é uma teleologia emergente (indistinguível da ‘teleonomia’ natural-científica); e uma simulação da teleologia—que dissolve até mesmo processos supra-teleológicos em chuva radioativa da topologia do tempo. ‘Como uma velocidade ou uma temperatura’, qualquer teleoplexia é um magnitude intensiva, ou quantidade não uniforme, heterogeneizada por catástrofes. É indistinguível da inteligência. O aceleracionismo tem que eventualmente medi-la (ou se desintegrar tentando).

§09. A teleoplexia, ou intensificação cibernética (auto-reforçadora), descreve o comprimento de onda das máquinas, escapando na direção do ultravioleta extremo, entre os raios cósmicos. Ela se correlaciona com complexidade, conectividade, compressão maquínica, extropia, dissipação de energia livre, eficiência, inteligência e capacidade operacional, definindo um gradiente de melhoria absoluta, mas obscura, que orienta a seleção socio-econômica através de mecanismos de mercado, como expresso através das medidas de produtividade, competitividade e valor de ativos de capital.

§10. O aceleracionismo tem um objeto real apenas na medida em que há uma coisa teleopléxica, o que seria dizer: na medida em que a capitalização é uma realidade histórico-natural. A compreensão teórica da teleoplexia, através de sua formalidade comercial, enquanto fenômeno econômico (dados de preços) oferece ao aceleracionismo, de uma só vez, seu maior recurso conceitual e seu problema mais inelutável. Minimamente, a formulação aceleracionista de um naturalismo teconômico rigoroso o envolve em uma problemática tripla, complicada pelo relativismo comercial; pela virtualidade histórica; e pela reflexividade sistêmica.

§11. O dinheiro é um labirinto. Ele atua para simplificar e, assim, acelerar as transações que, em sua ausência, tenderiam a se elaborar em direção ao infinito. Neste aspecto, ele é um evidente acelerador social. Dentro do sistema monetário, a complexidade é retransmitida a partir de pontos de estrangulamento, ou nós de obstrução, mas isso não deveria ser confundido com um desfazer de nós. Onde os nós se reúnem, o labirinto cresce. O dinheiro facilita um desenredamento local dentro do enredamento global, com as concomitantes ilusões perspectivas (ou de ponto de uso) de que o dinheiro representa o mundo. Isto é confundir a utilidade (valor de uso) com a escassez (valor de troca), sendo distraído, pelos “bens”, da única função global do dinheiro—o racionamento. O dinheiro aloca direitos (de opção) a uma parcela de recursos, seus valor absoluto vagando indeterminadamente de acordo tanto com sua própria escassez, quanto com a abundância econômica que ele divide. A conexão aparente entre preço e coisa é um efeito de uma dupla diferenciação, ou relativismo comercial, que coordena séries gêmeas de ofertas competitivas (dos lados da oferta e da demanda). A conversão da informação dos preços em dados naturalistas (ou referência absoluta) apresenta um desafio teórico extremo.

§12. O capital é intrinsecamente complicado, não apenas pelas dinâmicas competitivas no espaço, mas também pela dissociação especulativa no tempo. Ativos formais são opções, com condições temporais explícitas, que integram previsões a um sistema de valores (de troca) atuais. A capitalização, assim, é indistinguível de uma comercialização de potenciais, através da qual a história moderna é inclinada (teleoplexicamente) na direção de uma virtualização cada vez maior, operacionalizando cenários de ficção científica enquanto componentes integrais dos sistemas de produção. Valores que ‘ainda’ não existem, exceto enquanto estimativas probabilísticas, ou estruturas de risco, adquirem um poder de comando sobre os processos econômicos (e, portanto, sociais), necessariamente desvalorizando o atual. Sob orientação teleopléxica, o realismo ontológico é desacoplado do presente, tornando a questão ‘o que é real?’ cada vez mais obsoleta. A coisa que está acontecendo—que será real—está apenas fracionariamente acessível à observação presente, enquanto calendário de quantidades modais. O naturalismo teconômico registra e prediz a virtualidade histórica e, ao fazê-lo, se orienta em direção a um objeto—com traços catastroficamente imprevisíveis—que ainda está predominantemente por vir.

§13. Semi-finalmente, a avaliação da teleoplexia é um programa de pesquisa que a própria teleoplexia empreende. O valor abrangente do capital é uma estimativa emergente, gerada automaticamente por sua inerente inteligência analítica, a partir de preços corrigidos pela relatividade comercial (na direção de ‘valores fundamentais’) e descontados da virtualidade histórica (na direção de uma modelagem confiável do risco). A complexidade desses cálculos é explosivamente fracionada por problemas lógicos de auto-referência—tanto familiares quanto ainda não antecipados—conforme ela se compõe através das dinâmicas de cognição competitiva no tempo artificial. Se a modernidade tem uma auto-consciência teleopléxica espontânea, ela corresponde ao problema do naturalismo teconômico, imanentemente abordado: Quanto vale o mundo? Da perspectiva da reflexão teleopléxica, não existe diferença final entre essa questão formulada comercialmente e seu complemento tecnológico: O que a terra pode fazer? Existe apenas a auto-quantificação da teleoplexia ou intensidade cibernética, que é para o que os mercados financeiros computadorizados (afinal) servem. Conforme o aceleracionismo se fecha sobre esse circuito de auto-avaliação teleopléxica, sua ‘posição’ teórica—ou sua situação em relação a seu objeto—se torna cada vez mais emaranhada, até que ele assume as características básicas de uma crise terminal de identidade.

§14. O que seria necessário para que a teleoplexia se avaliasse de maneira realista—ou ‘alcançasse auto-consciência’ como o cenário de cyber-horror pulp o descreve? Dentro de um sistema monetário configurado de maneiras ainda não determináveis com confiança, mas quase certamente inclinado de maneira radical à despolitização e à distribuição cripto-digital, ela descobriria preços consistentes com sua própria tecnogênese, acelerada ao máximo, canalizando capital para automatização mecânica, auto-replicação, auto-melhoria e escapada até a explosão de inteligência. O sistema de preços—cuja função epistemológica há muito foi entendida—transiciona, desta forma, para uma hipercognição tecnológica reflexivamente auto-aperfeiçoadora. Independente dos alinhamentos ideológicos, o aceleracionismo avança apenas através de sua capacidade de rastrear tal desenvolvimento, seja para confirmar ou desconfirmar a expectativa teleopléxica da Singularidade Teconômica. A modernidade permanece, de maneira demonstrável, estritamente ininteligível na ausência da realização de um programa de pesquisa aceleracionista (que é exigido até mesmo pela Crítica Perene, em suas versões teoricamente sofisticadas). Uma conclusão negativa, se plenamente elaborada, necessariamente produziria uma teoria ecológica adequada do Antropoceno.

§15. A problemática tripla de relatividade, virtualidade e reflexividade já é suficiente para impedir essa investigação de maneira formidável, embora não invencível. Diversas dificuldades adicionais exigem uma menção específica, uma vez que sua resolução contribuiria subcomponentes importantes de um aceleracionismo completo ou, agrupadas separadamente, montariam uma filosofia histórica concreta da camuflagem (indispensável para qualquer teoria econômica realista).

§16. A economia, concebida comercialmente (enquanto sistema de preços), constitui uma fenomenologia multi-nível da produção sócio-histórica. Ela é uma estrutura objetiva de aparências, encenando coisas avaliadas. Ela também é um campo de batalha político, dentro do qual manipulações estratégicas da percepção podem ter um valor inestimável. É uma antiga contenda da Crítica Perene de que a monetização dos fenômenos sociais é intrinsecamente conflituosa. Tais reservas são suplementadas em uma era de desmetalização obrigatória, regimes politizados (de dinheiro fiduciário) e burocracias econométricas, uma hegemonia geopoliticamente contestada de reserva monetária mundial e uma proliferação de cripto-moedas. Na ausência de macro-agregados não problemáticos (sem conflitos) ou unidades de denominação financeira, a teoria econômica precisa ser limitada.

§17. Formas sócio-políticas herdadas frequentemente mascaram processos teconômicos avançados. Em particular, as definições legais tradicionais de pessoalidade, agência e propriedade interpretam erroneamente a autonomização/automação do capital em termos de um conceito profundamente defeituoso de posse. A ideia de propriedade intelectual já entrou em uma estado de crise evidente (mesmo antes de sua compatibilidade com a chegada da inteligência de máquina ter sido historicamente testada). Embora o reconhecimento legal de identidades corporativas forneça um caminho para a modificação teconômica das estruturas empresariais, pode-se esperar que inadequações fundamentais na concepção de propriedade (que nunca recebeu uma fundamentação filosófica crível), combinadas com uma inércia cultural geral, resultem em um reconhecimento sistematicamente errôneo das agência teleopléxicas emergentes.

§18. A concentração de capital é uma característica sintética da capitalização. Não se pode assumir que medidas de concentração de capital, densidade de capital, composição de capital e intensidade cibernética sejam facilmente acessíveis ou coincidam de maneira ordeira. Não há qualquer incompatibilidade teórica óbvia entre uma significante intensificação teconômica e padrões de difusão social do capital fora do modelo fabril (sejam eles historicamente familiares e atávicos ou inovadores e irreconhecíveis). Em particular, ativos domésticos oferecem um locus de acumulação furtiva de capital, onde a estocagem de um aparato produtivo pode ser economicamente codificada como aquisição de bens de consumo duráveis, desde computadores pessoais e dispositivos digitais móveis até impressoras 3D. Independente das tendências na vigilância social auxiliada pela internet, a capacidade das instituições econômico-estatísticas de registrar os desenvolvimentos do micro-capitalismo merece um ceticismo extraordinário.

§19. Não é apenas possível, mas provável, que avanços em direção à Singularidade Teconômica sejam obscurecidos por mega-agências sintéticas intermediárias, em parte funcionando como máscaras históricas, mas também ajustando resultados eventuais (como efeito da dependência do caminho). Os candidatos mais proeminentes para tal canalização teleopléxica são grandes redes digitais, corporações empresariais, institutos de pesquisa, cidades e estados (ou componentes estatais altamente autônomos, especialmente agências de inteligência). Na medida em que essas entidades respondem a sinais de fora do mercado, elas são caracterizadas por personalidades institucionais arbitrárias, com uma intensidade teleopléxica reduzida e uma assinatura antro-política residual. É bastante concebível que, em alguns desses caminhos, a Singularidade Teconômica seja abortada, talvez em nome de uma ‘IA amigável’ ou um ‘singleton’ (antropolítico). Dificilmente poderia haver qualquer dúvida de que uma rota para a explosão de inteligência injetada através da NSA exibiria algumas características muito distintivas, com implicações opacas. A consequência teórica mais importante a ser notada aqui é que tais teleologias locais inevitavelmente perturbariam linhas de tendência mais contínuas, dobrando-as como se em direção a objetos super-massivos no espaço gravitacional. Também é possível que alguma instância de individuação imediata—mais obviamente, o estado—pudesse ser estrategicamente investida por um Aceleracionismo de Esquerda, precisamente a fim de submeter a linhagem virtual-teleopléxica do Capitalismo Terrestre (ou Singularidade Teconômica) a um apagamento e perturbação.

§20. Se, neste estágio, o aceleracionismo parece ser um projeto impossível, é porque a compreensão teórica da hiperinteligência teleopléxica não pode ser alcançada por nada além de si mesma. O escopo do problema é indistinguível da intensidade cibernética da coisa semi-final—a cognitivamente auto-envolvente Singularidade Teconômica. Sua dificuldade, ou complexidade, é precisamente o que ela é, ou seja: uma escapada real. Abordá-la, portanto, é parcialmente antecipar os termos de sua eventual auto-reflexão—a moeda teconômica através da qual a história da modernidade pode, pela primeira vez, ser adequadamente denominada. Ela não tem qualquer alternativa além de financiar sua própria investigação, em unidades de destino ou destruição, camuflada dentro do sistema de sinais econômico cotidianos, mas ainda assim rigorosamente extraíveis, dadas apenas as chaves criptográficas corretas. O aceleracionismo existe apenas porque essa tarefa foi automaticamente atribuída a ele. O destino tem um nome (mas nenhuma face).

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